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terça-feira, 31 de maio de 2011

domingo, 8 de maio de 2011

Entrevista com Saint Clair Cemin

   Em meados de outubro ou novembro do ano passado, tive o prazer de entrevistar (ou melhor, conversar) com Saint Clair Cemin, um dos maiores escultores contemporâneos do mundo, que me acolheu de forma muito gentil e hospitaleira na residência de sua família, em Cruz Alta. Acontece que a entrevista, que acabou se tornando uma conversa amigável e se estendeu por cerca de duas horas, foi gravada em um fita cassete, e, por infelicidade (leia-se burrice), esqueci de apertar um botãozinho chamado REC.
  Tudo que pude fazer foi rebuscar em minha memória os trechos mais importantes da “entrevista” e transcrevê-la para o papel.
   Na ocasião, o escultor fez um longo retrospecto de sua vida, a princípio, rememorando as mais remotas lembranças de sua infância em Cruz Alta, quando vivia na fazenda de seus progenitores. Seu pai foi um homem do campo, plantava trigo e gerenciava as demais lidas, e sua mãe uma mulher culta, que se incumbiu de ensinar o filho a ler e a escrever antes dele vir para a cidade. Aos seis ou sete anos, o garoto, alfabetizado, já demonstrava intimidade com os livros. Descreveu-se como um garoto tímido, de poucos amigos e mais inclinado para as artes do que para as atividades normais entre as crianças, como os esportes. Nessa época, Saint Clair pretendia ser filósofo ou cientista.
Saint Clair, sua bela residência e eu

   O contato com a arte viera de berço.  Não somente pelos esforços de sua progenitora, como, também, por intermédio da própria arquitetura da referida residência da família, idealizada por sua avó. Embora eu confessasse minha admiração pelo bom gosto da casa (vide foto ao lado), o escultor disse que já houve épocas de maior esplendor. As dependências eram inteiramente decoradas com figuras místicas e passagens bíblicas, ornadas do chão ao teto, feitas por um pintor russo. Estava montado o cenário que aguçaria o gênio criativo do futuro artista.
    Saint Clair saiu de Cruz Alta no ano de 1968, aos 17 anos, juntamente com seus pais, rumo a São Paulo. Suas ambições encontravam-se divididas entre a arte e a ciência, uma vez que o jovem era um exímio desenhista, e fazia ilustrações para a Revista Planeta e O Dicionário de Ciências Ocultas, ao tempo em que pretendia estudar Física. Ainda em São Paulo, tivera contato com as mais diversas formas de arte nas bienais de 69, 71 e 73. Nesse período Saint Clair conheceu e fez amizades com alguns artistas de relevo e começou a se interessar pela arte conceitual.
Supercuia - Obra de Saint Clair em POA

   Em 1974 foi para Paris cursar a Escola Superior de Belas Artes, onde trabalhou como gravurista. Em 1978 mudou-se para Nova Iorque, dando seguimento ao trabalho em seu próprio ateliê, produzindo, principalmente, gravuras em metal. No ano seguinte, houve uma significante mudança de planos. A exposição do artista alemão Joseph Beuys deixou Saint Clair tão impressionado com a arte conceitual que o cruz-altense freqüentou-a diariamente. Como resultado, desinteressou-se pela gravura e vendeu seu ateliê. Nos anos seguintes, Saint Clair fez amizades com diversos artistas e começou a desenvolver trabalhos experimentais, explorando diversos tipos de materiais. Mas foi somente após ler a respeito do escultor romeno Brancusi, que se motivou a reunir alabastro, mármore, bronze, gesso, pedras e começar a esculpi-las à mão. 
Constantin Brancusi
Dois anos depois o artista realizou sua primeira exposição em Nova Iorque, reunindo mais de 50 peças. No ano seguinte, houve uma segunda exposição, e o artista já contava com patrocinadores. Foi a partir desse ponto que seu trabalho começou a se tornar reconhecido mundialmente.
   Fato é que Saint Clair Cemin constitui-se, hoje, em um artista singular, o primeiro e único de sua espécie. Alguns dizem que seus trabalhos vagueiam pela arte conceitual... Outros classificam como arte experimental... Outros dizem que é uma extensão do surrealismo.  O próprio classifica seu trabalho como indescritível, pois vai além da linguagem. Seja como for, suas obras estão espalhadas por diversas partes do mundo, de exposições a monumentos em logradouros públicos, desde a famosa “Supercuia” em Porto Alegre, passando pelo Japão, México, Suécia, E.U.A., França, Espanha, Noruega, entre tantos outros. 
   É mole? Tomou, papudos?

domingo, 1 de maio de 2011

Academia Literária Cruz-Altense: O primeiro passo, talvez?

  No entardecer da última sexta-feira, aconteceu reunião da Alpas XXI, Associação Literária e Artística, realizada na residência da presidente da entidade, Rozelia Scheifler.
  A primeira surpresa da noite foi o próprio local. Aos fundos da propriedade, há um quintal  deslumbrante, tão extenso que mais parece uma fazenda, e a assembléia aconteceu em um pequeno e aconchegante galpão, batizado de “Bolicho”.


  Infelizmente, não foi possível registrar o encontro com fotos, pois a porcaria da bateria de minha máquina esgotou-se antes da reunião começar. A última foto, logo abaixo, exibe apenas a poetisa Sidarta Soares e eu, pois fomos os primeiros a chegar. Pontualidade britânica.


 
    Fizeram-se presentes o escritor Darcy Pinheiro, a trovadora, poetisa e artista plástica Dalvina Ebling, a poetisa Sidarta Soares, a escritora Rozelia Scheifler e eu. 
   Apesar do abatimento da presidenta, devido a um problema de saúde familiar, a noite foi muito proveitosa e restauradora de ânimos. Debatemos a respeito do estatuto, aquisição de sede, e as demais implicações legais para fundar a referida academia e reformular a Alpas XXI, que  logo passará a englobar outras modalidades artísticas,  além da literatura. 
  Já estive em outras reuniões da associação, e posso dizer que, pelo rumo que a prosa tomou, e pelo vigor que os presentes depositaram nas palavras e gestos, creio que acabamos de dar o primeiro passo alentado para levar adiante nosso antigo sonho de formar a Academia Literária Cruz-Altense.
  Para encerrar bem a noite, fui presenteado com um exemplar da Coletânea da Alpas do ano de 2010, chamada "Inverdades". Existe presente melhor do que um livro? Ganhei o dia!

sábado, 26 de março de 2011

A quinta, as estátuas em faiança, os azulejos e as minhas mágoas

Confesso que minha intenção era parar de publicar neste blog as colunas do jornal, mas como esta trata de uma coisa muito profunda e significante para mim, faço questão de exibi-la e incrementá-la com fotos:



Caetano Pereira da Motta
   Semana passada, fiz um rápido levantamento sobre alguns prédios majestosos que foram demolidos. Entre os referidos, deixei para essa ocasião um em especial, motivo de minha maior mágoa em relação à cidade de Cruz Alta. Aqui abro uma ressalva: quando discorro sobre esse extinto local que tanto poder exerce sobre mim, sou como uma criança problemática: sei que o problema não está em nenhum lugar além de dentro de mim, mesmo assim, acabo descontando nos outros, ou melhor, em nossa cidade.
   Em torno de 1841, arranchou-se em Cruz Alta um português oriundo da Freguesia de São Miguel d’Oliveira do Douro, chamado Caetano Pereira da Motta. Este, rapidamente prosperou no comércio local e adquiriu inúmeros terrenos na cidade, fixando residência no prédio onde hoje é a Sorveteria Nápoli, na Rua Pinheiro Machado. No ano de 1858, Caetano Pereira da Motta construiu, no terreno ao lado, onde hoje é a “Loja Caserna”, uma magnífica quinta (chácara) portuguesa, que, na minha opinião, foi o local mais mágico, fantástico e distinto de tudo que já foi construído em Cruz Alta. Era um pedaço de Portugal erigido em domínio tupiniquim. Até mesmo o pórtico da chácara era de um requinte ímpar. 
 Croqui do pórtico
 
Detalhe monograma CPM
Detalhe dos azulejos portugueses

   
     O portão de ferro trabalhado (vide foto ao lado), que resguardava a fachada, foi trazido de Portugal, e continha impresso o monograma do fidalgo “CPM” (vide foto). Nos muros laterais do portão, agrupavam-se alguns azulejos (Vide foto acima) em forma de losango, que se alternavam em azul e branco, e azul e amarelo (também trazidas de Portugal) e, mais acima, a “curva francesa” entre as duas extremidades, que mais pareciam “caracóis de cimento”. 
    Acima do portão, foi gravada a data de construção (1858) e, no topo da estrutura, dois vasos em faiança, também oriundos de Portugal.
   Transpondo-se o portão, descia uma longa escadaria feita com pedras da cidade de Itaqui. (vide foto logo abaixo) 


Estátua do Continente Africano
    Rodeando o acesso, uma vegetação abundante decorada por camélias e hortênsias. Ainda no primeiro plano do corredor, exibia-se uma estátua de um cão sentado, olhando de frente ao portão. Esse pequeno nível fazia descer mais cinco degraus, que dava para outro nível reto, onde haviam quatro pedestais ornamentados com os mesmos azulejos da fachada. 
   Acima de cada pedestal havia quatro estátuas femininas (vide foto) que simbolizavam os quatro continentes (a Oceania não havia sido descoberta naquela época).
A partir desse nível, a escadaria descia mais 3 ou 4 degraus, que conduzia para o pátio e ao restante da quinta, que não era de chão cimentado; nas duas extremidades desse mesmo nível, abria-se também dois corredores cimentados: um ganhava a casa do lusitano, onde hoje é a Sorveteria Nápoli; o outro dava para o prédio da atual Lili Boom, que também lhe pertencia. O trajeto que dali se seguia para a residência de CPM terminava em mais uma escadaria de ferro portuguesa (que ainda está lá, nos fundos da sorveteria).Vide foto abaixo:
A escada ainda está lá, embora soterrada de objetos, pois essa parte foi coberta.
Portãozinho ao fim do corredor

   Pois bem. Ao fim da escadaria que descia do portão frontal para os fundos, havia mais um portãozinho (vide foto), ornado dos mesmos detalhes do portão principal e incrementado por dois pedestais distribuídos em extremidades opostas, que sustentavam duas estátuas de leões em tamanho natural. Ao término do último degrau, erguia-se um arco de ferro, tal como um arco-íris, contornado com trepadeiras “Três Marias”. Dali para o restante do pátio, que se estendia por mais de 100 metros até a esquina da Rua Venâncio Aires, (onde hoje é a Farmácia Providência), havia uma infinidade de árvores frutíferas, muitos bancos e mesas de pedras e, mais ao fundo, próximo aos parreirais, uma estátua do Deus Baco (Deus do Vinho) - vide foto abaixo; pois o lusitano não era fraco e produzia “vinho do Porto”. 

 Foto de 1890. No círculo vermelho, podemos ver os fundos da quinta, que davam para a Rua Venâncio Aires. No círculo azul temos a estátua de Baco e, mais a direita, os referidos parreirais.

Nessa foto panorâmica fica mais fácil de entender toda a estrutura da quinta:
 O quadro vermelho indica os limites territoriais da quinta. O círculo amarelo indica a residência do CPM. O círculo verde indica sua outra casa, onde funcionava a Farmácia Motta. O círculo roxo indica o pórtico; a linha vermelha indica a extensão da escadaria, e, desta linha adiante, abria-se o pátio, carregado de árvores das mais variadas espécies.
 
   Encurtando a história, CPM morreu em 1893 e, desde então, o local vinha sendo repassado para herdeiros, até culminar no fim trágico, quando Diniz Dias Filho vendeu a quinta e ela veio abaixo, no fim da década de 1980. A quinta era conhecida por muitos como “o portão” e disseminou-se uma lenda de que era um cemitério, principalmente, devido as iniciais CPM (Caetano Pereira da Motta), que os populares traduziam como (Cemitério Público Municipal).
   Desde então, mantenho uma busca desesperada e constante por fotos e relatos de pessoas que conheceram o local. E para as gerações mais novas, que não tiveram o prazer de conhecer esse local fantástico, deixo mais algumas fotos, logo abaixo:


segunda-feira, 7 de fevereiro de 2011

Café?

   Somente entenderão o trocadilho aqueles que acessarem o blog Ousar e Voar, da minha sapientíssima amiga Tânia Brettas, gaúcha radicada na Bahia. Obrigado por tudo! Nos pequenos gestos descobrimos os grandes amigos.
  
PS: Não tomo café, mas dêem uma olhada na minha xícara de chá predileta que só eu tenho e vocês não!!!